Um
ofício foi encaminhado ao Ministério da Educação pelo próprio ministro Abraham
Weintraub.
A
previsão de uma redução de R$ 4,18 bilhões no orçamento de 2021 do MEC
(Ministério da Educação) pode colocar em risco, para o próximo ano, ações
essenciais da pasta como a realização do Enem, continuidade no pagamento de
bolsas de pesquisa e o custeio para funcionamento de universidades federais.
A
situação consta em ofício encaminhado ao Ministério da Economia pelo próprio
ministro Abraham Weintraub (Educação), com data desta quinta-feira (4). A
mensagem pede ampliação dos recursos do MEC para 2021 no âmbito da proposta
orçamentária, em discussão pela equipe do ministro Paulo Guedes (Economia).O
MEC reclama que a previsão de despesas discricionárias à pasta para 2021 é
18,2% inferior ao prevista na lei orçamentária deste ano. Essa rubrica (que não
leva em gastos fixos como salários) passaria de R$ 22,96 bilhões neste ano para
R$ 18,78 bilhões em 2021.
No
documento, o MEC pede que a Economia amplie em R$ 6,8 bilhões a previsão do
orçamento discricionário da pasta para "cobertura de despesas com a
continuidade de suas políticas educacionais". O montante equipara ao valor
da lei orçamentária deste ano e acresce suplementação.
Para
sensibilizar a Economia, o Ministério da Educação afirma que praticamente todas
as ações importantes da pasta têm risco de prejuízo, como o PNLD (Programa
Nacional do Livro Didático) e repasses às redes de ensino.
Ressalta,
no entanto, que a redução desse orçamento "afetará gravemente e poderá
interromper" ações relacionadas ao ensino superior, como a concessão de
bolsas de pesquisa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior), funcionamento de campi e também avaliações nacionais.
"Convém
destacar que o consagrado Exame Nacional do Ensino Médio - Enem figura-se entre
os programas que correm o risco de serem descontinuados, e soma-se a esse
prejuízo o fechamento de cursos, campi e possivelmente instituições inteiras,
comprometendo a educação superior e a educação profissional e tecnológica",
cita trecho de nota técnica assinada pelo subsecretário de Planejamento e
Orçamento do MEC, Adalton Rocha de Matos.
O
Enem é a principal porta de entrada para o ensino superior público do país. Na
edição deste ano, cuja realização não tem riscos de ocorrer, segundo o governo,
recebeu 6,2 milhões de inscritos.
Ainda
há tempo para que a solicitação do MEC seja analisada. O governo tem até o fim
de agosto para enviar ao Congresso o projeto do orçamento de 2021.
Questionados, os ministérios da Educação e Economia não responderam até a
publicação deste texto.

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