Após mais de dois meses desde a confirmação
do primeiro caso de coronavírus em Pernambuco, 20 municípios do Estado ainda
não registraram casos da Covid-19 entre a população. A partir desse dado,
pesquisadores do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados para a Pesquisa
Social (Cieg) da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) mapearam e realizaram rápida
pesquisa com o objetivo de identificar as causas da não contaminação nessas
localidades.
“Fizemos um mapa e analisamos os municípios que ainda não se contaminaram. Para isso, coletamos os dados junto aos sites das prefeituras desses municípios e nos Informes Epidemiológicos da Secretaria de Saúde do Estado, tomando o período de 21 a 23 de maio como base da pesquisa”, afirmou o pesquisador do Cieg da Fundaj e coordenador responsável pelo Painel, Neison Freire.
“Fizemos um mapa e analisamos os municípios que ainda não se contaminaram. Para isso, coletamos os dados junto aos sites das prefeituras desses municípios e nos Informes Epidemiológicos da Secretaria de Saúde do Estado, tomando o período de 21 a 23 de maio como base da pesquisa”, afirmou o pesquisador do Cieg da Fundaj e coordenador responsável pelo Painel, Neison Freire.
De acordo com a pesquisa, o isolamento geográfico e a menor densidade populacional são fatores importantes no controle da expansão do novo coronavírus. “Analisando inicialmente o mapa desses municípios sem Covid-19, observa-se que a primeira possível causa desse atraso na contaminação pode estar relacionado ao fato de que a maioria não está conectada ou próxima a alguma rodovia federal de grande tráfego. “Existe exceção no caso de Belém do São Francisco (BR-316) e Exu (BR-122). Porém, em ambos, há pouco fluxo de veículos se comparados, por exemplo, a BR-101 ou BR-232”, pontuou Neison.
Cerca de 80% desses municípios estão abaixo
de 20 mil habitantes. Nesse grupo, a cidade de Ingazeira é a menor, com 4.548
habitantes. Enquanto Iati é a maior, com 19.197 habitantes. Além do mapeamento,
os pesquisadores elaboraram um questionário com quatro perguntas a respeito das
possíveis causas desse atraso. Para se ter uma contra-prova, foram investigados
dois grupos: os municípios sem casos confirmados (20) e aqueles com casos
confirmados (20). Esses últimos foram selecionados a partir dos que apresentaram
maior variação percentual nos últimos 15 dias.Ao ser pesquisado se no município
a prefeitura havia decretado alguma medida de isolamento social ou fechamento
do comércio, 16 das 20 cidades sem Covid-19 (80%) responderam que “sim”,
permanecendo há aproximadamente 65 dias nessa situação. Já o grupo dos
municípios que tiveram maior crescimento na variação percentual de
contaminação, 11 de 20 municípios responderam sim (55%), e com média de dias
nessa condição inferior ao outro grupo: 52 dias.
Analisando o confinamento social, a pesquisa também avaliou, nos dois grupos, se o comércio não essencial estava fechado.
Analisando o confinamento social, a pesquisa também avaliou, nos dois grupos, se o comércio não essencial estava fechado.
No
grupo “sem” Covid-19, 11 municípios responderam que “sim”, situação que já dura
há aproximadamente 58 dias em média. Já no grupo dos “com” Covid-19, 15 dos 20
municípios estão há aproximadamente 48 dias com o comércio não essencial
fechado. Outra questão analisada diz respeito ao fechamento de escolas. No
grupo dos “não” contaminados, 17 responderam que as escolas estão fechadas há
cerca de 64 dias. Já no dos “contaminados”, 18 responderam que estão com as
escolas fechadas desde 18 de março, seguindo o decreto do Governo do Estado.
A última questão da pesquisa está associada à
instalação de barreiras sanitárias nas entradas das cidades. No grupo dos “não
contaminados”, 9 responderam que instalaram barreiras e que, em média, elas
existem há cerca de 20 dias, embora exista casos com maior tempo. Um exemplo
disso é Angelim (desde 30 de março – 51 dias) e Santa Filomena (desde 01 de
abril – 39 dias). Nas cidades com casos confirmados e maior variação percentual
de contaminação nos últimos 15 dias, 6 dos 20 municípios pesquisados instalaram
barreiras sanitárias. Em média, há apenas 13 dias. Portanto, as barreiras
sanitárias também indicam ser uma provável maneira eficaz de evitar a
introdução da pandemia no núcleo urbano desses grupos, embora não seja uma
medida tomada universalmente.

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