Representando
70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, os agricultores familiares
enfrentam desafios durante a pandemia do novo coronavírus. Redução da demanda,
dificuldade para escoar os produtos devido à necessidade do isolamento social e
a queda dos preços são alguns dos fatores que dificultam a vida desses
trabalhadores. O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) acompanha essas
famílias e oferece ações de apoio para o enfrentamento dessas dificuldades.
Este
formato de agricultura tem como base o compartilhamento do trabalho na família
e representa, para cada grupo, sua principal fonte de renda. O agricultor
mantém uma relação particular com a terra, seu local de moradia e trabalho. De
acordo com o diretor de extensão rural do IPA, Reginaldo Alves, a agricultura
familiar é responsável por 80% a 90% da dos alimentos contidos na cesta básica
pernambucana. O instituto atende cerca de 50 mil famílias empregadas neste
sistema no Estado.
Com
a pandemia, surgiram desafios diante de um momento importante para a
agricultura familiar em Pernambuco. O IPA, portanto, desenvolve algumas
atividades de apoio ao setor. “O principal objetivo de nossas ações nesse
contexto é aproveitar e garantir a renda nesse momento de chuva super
importante para o cultivo. No Sertão, ou se planta até o mês de março ou o ano
está perdido. No Agreste, o limite é o mês de maio”, avalia Reginaldo.
Seguindo
determinações sanitárias de isolamento e saúde, o IPA oferece suporte aos
agricultores que desejem se cadastrar para receber o auxílio emergencial do
Governo Federal, realizam processos de renovação de documentos e
financiamentos, criação de grupos no WhatsApp com os agricultores para
compartilhamento de informações e debates acerca do cultivo, produção e
reuniões por videochamada. Além disso, o IPA desenvolve e distribui
digitalmente, materiais em formato de card para conscientização sobre o
coronavírus e informações técnicas sobre prevenção durante este período. “Já
estamos no oitavo card com circulação nas redes sociais, incluindo o WhatsApp.
Orientamos também a fabricação de máscaras, como higienizar os alimentos e o
corpo, além de boas práticas de conservação dos produtos. Uma equipe está
focada nessa produção de conteúdo durante este período”, garante Reginaldo.
Aprovado
no dia 14 de maio, por unanimidade em segunda votação na Assembléia Legislativa
de Pernambuco (Alepe), o Programa Estadual de Aquisição de Alimentos auxilia na
garantia da renda para o agricultor e na alimentação para diversos órgãos. A
medida cria uma regra onde a compra de alimentos para os equipamentos estaduais
(hospitais, polícia militar, sistema penitenciário, etc) considere um mínimo de
30% originários da agricultura familiar, pescadores artesanais, povos e
comunidades tradicionais.
Essa
medida reforça o programa já existente anteriormente em parceria com o
Ministério da Cidadania, chamado de Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Reginaldo conta que, com investimento de R$ 9 milhões, o vencimento do projeto
é em junho, a nova proposta estima um financiamento de R$ 12 milhões para as
aquisições de alimentos oriundos da agricultura familiar em Pernambuco. “Nesse
momento de pandemia, precisamos dar esse suporte técnico para que a agricultura
familiar continue suas atividades”.
Reginaldo
reforça a necessidade de ações que auxiliem nesse momento. “Estamos fazendo um
trabalho junto à Secretaria de Desenvolvimento Agrário de atenção às feiras
locais (agroecológicas e orgânicas). Pensamos que, nesse momento, a dificuldade
de acesso aos mercados e alguns pontos de venda ficou mais complicado e se
torna importante a criação de novos mecanismos de contato com o consumidor,
seja por entregas em domicílio e relacionamento via plataformas virtuais”.
O
IPA reúne mais de 400 técnicos nos 185 municípios de Pernambuco, incluindo
Fernando de Noronha, onde os profissionais desenvolvem um mapeamento da
capacidade produtiva da Ilha, estimulando uma produção local que auxilie na
independência do continente, que acaba por elevar o preço de alguns produtos.

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